Existe um fenômeno silencioso acontecendo há anos no mercado de desenvolvimento humano, comunicação, negócios e até mesmo no universo digital: as cópias deixaram de ter vergonha. Hoje, qualquer reprodução mal lapidada se fantasia de original e tenta ocupar o espaço de quem construiu autoridade na prática, na consistência e na entrega real.
E, sejamos honestos, muitas pessoas pagam preço de raridade por quem só sabe repetir frases prontas.
Escrevo isso como mentora, psicanalista e mulher empresária que atua há mais de uma década formando profissionais, fortalecendo vozes e ajudando pessoas a se posicionarem com verdade. O mercado mudou, sim. Mas o comportamento humano, esse continua previsível: é sempre mais fácil copiar o que já funciona do que encarar o trabalho profundo de criar algo que carregue identidade.
A questão é: onde isso nos leva?
Quando cópias se passam por originais, perdemos todos.
• Perdemos profundidade.
• Perdemos referência.
• Perdemos pensamento crítico.
• Perdemos a coragem de inovar.
E pior: criamos uma cultura onde quem trabalha sério precisa disputar espaço com quem apenas repete o eco do eco.
A autenticidade virou diferencial. Quando, na verdade, deveria ser pré-requisito básico.
A psicanálise ensina que o sujeito só se constitui quando assume sua própria voz. No mercado, não é diferente. Quem não sustenta uma identidade própria, sustenta uma persona vazia. E personas vazias podem até chamar atenção, mas não constroem legado. Não sustentam complexidade. Não formam resultado.
É por isso que eu afirmo, com toda convicção: crescimento não nasce da cópia; nasce da coragem de existir como você é, com a sua visão, o seu repertório, a sua história e a sua inteligência emocional aplicada.
Como empresária, aprendi que quem vive de copiar sempre chega atrasado.
Como mentora, vejo diariamente que quem tenta imitar o outro se desconecta de si.
Como psicanalista, sei que a falta de autenticidade é só um sintoma: medo de não ser suficiente, medo de não ser aceito, medo de descobrir quem se é sem o espelho do outro.
E, no fim, medo é o motor de toda estagnação.
O mercado não precisa de mais cópias. Precisa de presença.
Precisa de gente que pensa, que questiona, que cria, que sustenta o que fala.
O consumidor atual — mais exigente, mais informado, mais consciente — não tolera superfície por muito tempo. Ele percebe quando há verdade. Ele percebe quando há estudo. Ele percebe quando há história, cicatriz, experiência e entrega real.
Por isso, deixo aqui a reflexão que conduzo em mentorias e palestras:
Você quer ser lembrado pelo que imita ou pelo que inaugura?
A resposta para essa pergunta define não apenas o posicionamento, mas a trajetória inteira. Porque, no fim das contas, quem constrói algo autêntico pode até andar mais devagar no começo… mas chega muito mais longe.
E chega de pé no chão. De frente erguida. Como original.
Sempre.
Por: Priscilla Cruz é Mentora, Palestrante e Psicanalista. Especialista em Autoconhecimento, Comportamento e Comunicação. Idealizadora do evento Start Experience e colunista da seção “Comunicação e Gestão das Emoções” do Portal Conexão do Povo.



