A cidade de Maricá foi palco de uma tragédia na manhã desta sexta-feira (3), quando Natália da Silva Figueiredo, de 36 anos, foi brutalmente assassinada em um caso de feminicídio no bairro Flamengo, região central do município. O crime, que abalou a comunidade local, ocorreu por volta das 6h30, na Rua João Ricardo dos Santos Oliveira, nas proximidades da Praça do Flamengo e da Escola Municipal Clério Boechat.
De acordo com as primeiras informações da investigação, Natália deixava sua residência para ir ao trabalho quando foi surpreendida por seu ex-companheiro, Alexander de Souza Porto Neves. O homem efetuou diversos disparos contra a vítima a curta distância. Equipes de socorro foram acionadas imediatamente, mas Natália não resistiu aos ferimentos e faleceu antes de dar entrada no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara.
Após cometer o crime, Alexander de Souza Porto Neves disparou contra a própria cabeça. Ele foi socorrido em estado gravíssimo pelo Corpo de Bombeiros e também encaminhado ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois na unidade hospitalar.
Relatos de moradores e pessoas próximas indicam que o casal já estava separado, e Alexander não aceitava o fim do relacionamento. Testemunhas afirmaram que, dias antes do trágico evento, ele teria tentado invadir a casa dos pais de Natália, onde ela estava morando desde a separação, evidenciando um histórico de perseguição e inconformismo com o término.
Policiais militares da 6ª Companhia de Maricá isolaram a área para a realização da perícia. A investigação do caso ficou sob responsabilidade da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Maricá (DHNSG) e está sendo tratada como feminicídio. Mesmo com a morte do autor, a Polícia Civil dará continuidade às investigações para esclarecer todas as circunstâncias do crime e concluir o inquérito policial.
O Contexto do Feminicídio no Brasil
O feminicídio, tipificado como crime hediondo no Brasil pela Lei nº 13.104/2015, representa o assassinato de mulheres em razão de sua condição de gênero. Este tipo de crime é a expressão máxima da violência de gênero e reflete uma realidade alarmante no país.
Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indicam que o Brasil registrou 1.568 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Este número é o maior desde a tipificação do crime em 2015. Embora haja uma queda de 11,45% nos feminicídios em abril e maio de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a persistência de casos como o de Natália em Maricá reforça a urgência de ações mais eficazes no combate a essa violência.
Canais de Denúncia e Apoio
É fundamental que casos de violência contra a mulher sejam denunciados. Existem diversos canais de apoio e denúncia disponíveis:
• Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, que oferece escuta e acolhimento qualificado.
• Ligue 197: Disque Denúncia da Polícia Civil, que garante o sigilo do denunciante.
• Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs): Unidades policiais especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência.
• Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006): Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e estabelece medidas de assistência e proteção.
NOTA DE REPÚDIO DA SECRETARIA DE POLÍTICAS E DEFESA DOS DIREITOS DAS MULHERES
“A Secretaria de Políticas e Defesa dos Direitos das Mulheres manifesta profundo pesar e repúdio diante do feminicídio ocorrido na manhã desta sexta-feira (03), em Maricá, que vitimou uma mulher de 36 anos.
Recebemos essa notícia com indignação e tristeza. Cada feminicídio representa uma grave violação dos direitos humanos e evidencia a urgência do fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e todas as pessoas impactadas por essa perda irreparável. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida das mulheres.
Nenhuma mulher deve perder a vida por exercer o direito de viver com liberdade, dignidade e segurança. O combate à violência de gênero é uma responsabilidade de toda a sociedade.
Se você ou alguma mulher que conhece está em situação de violência, procure ajuda. A rede de proteção está preparada para acolher, orientar e encaminhar cada caso.
Feminicídio é crime. O silêncio também mata. Denuncie. Ligue 153 ou 180, em situações de emergência, 190.
Secretaria de Políticas e Defesa dos Direitos das Mulheres de Maricá”.




