Israel realizou um ataque aéreo na última terça-feira, 3 de fevereiro, contra o prédio da Assembleia de Especialistas do Irã, um órgão vital responsável pela escolha do próximo líder supremo do país. O incidente, que ocorreu na cidade sagrada de Qom, no sul do Irã.
De acordo com informações da imprensa israelense, o bombardeio teve como alvo o local onde os 88 aiatolás que compõem a assembleia estavam reunidos. Embora não haja confirmação sobre o número de vítimas ou se os membros da assembleia foram atingidos, a mídia estatal iraniana reportou que o prédio foi “arrasado” pelo ataque, com imagens mostrando uma estrutura parcialmente destruída e colunas de fumaça.
Este ataque ocorre em um momento delicado para o Irã, que recentemente anunciou a morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, durante uma ofensiva anterior de Estados Unidos e Israel. A Assembleia de Especialistas, que tem a função de indicar o sucessor de Khamenei, estava em processo de deliberação para a escolha do novo líder.
Após o ataque, a Assembleia de Especialistas, composta por clérigos de alto escalão, passou a realizar suas reuniões de forma virtual, conforme noticiado pela agência de notícias semioficial iraniana Fars. Embora Israel tenha avaliado que a operação poderia ter adiado a eleição do novo líder, a agência iraniana afirmou que nenhuma sessão estava sendo realizada no prédio no momento do bombardeio e que a assembleia está nas “fases finais” da seleção.
A morte de Ali Khamenei resultou na transferência temporária de seus poderes para um conselho de três pessoas, composto pelo presidente, o chefe do Judiciário e um clérigo sênior do Conselho dos Guardiães, até que um novo líder supremo seja escolhido. O Conselho dos Guardiães, por sua vez, é um órgão de 12 juristas que supervisiona as atividades do Parlamento iraniano.
O incidente em Qom se soma a uma série de ataques e retaliações que têm marcado a região. Os Estados Unidos e Israel iniciaram uma onda de ataques contra o Irã em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano. Em resposta, o regime dos aiatolás retaliou contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas. A ameaça de uma “ofensiva mais pesada” por parte do Irã e a resposta dos Estados Unidos, alertando para uma força “nunca antes vista”, indicam um cenário de instabilidade contínua e a necessidade de atenção redobrada para os desdobramentos futuros.



