Em um cenário de crescente instabilidade no Oriente Médio, o Irã lançou uma série de ataques contra infraestruturas energéticas cruciais na Arábia Saudita e no Catar. As ações, que ocorreram nesta segunda-feira (02/03), são apresentadas por Teerã como uma retaliação direta a um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica no último sábado (28/02). Este novo capítulo na escalada de tensões regionais já provocou interrupções na produção de gás e um aumento significativo nos preços do combustível na Europa.
No Catar, drones iranianos tiveram como alvo uma central elétrica e um complexo de tratamento de gás, resultando na suspensão imediata da produção de gás natural liquefeito (GNL) pela empresa estatal QatarEnergy. As instalações atingidas incluem Ras Laffan, um dos principais centros de produção de GNL do país, e uma usina elétrica em Mesaieed. A interrupção da produção catariana, um dos maiores exportadores de GNL do mundo, causou um salto de mais de 50% nos preços do gás europeu, que já vinham em alta.
Simultaneamente, a Arábia Saudita também foi alvo. A refinaria de Ras Tanura, uma das maiores do mundo, registrou um “incêndio limitado” após os ataques, que foi rapidamente controlado. As autoridades sauditas condenaram veementemente os “ataques iranianos flagrantes e covardes”, reiterando a gravidade da situação. Felizmente, não houve registro de vítimas em nenhum dos incidentes.
Os ataques iranianos são uma resposta à morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e de outros dirigentes, em um incidente anterior. Teerã tem mirado países do Oriente Médio que abrigam bases militares americanas, ampliando o alcance geográfico do conflito. Relatos indicam que, além de Arábia Saudita e Catar, outros dez países na região foram direta ou indiretamente afetados pela recente onda de violência, incluindo Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre. Em muitos desses locais, sistemas de defesa aérea interceptaram projéteis, mas ainda assim foram registrados mortos, feridos e danos a infraestruturas civis e militares.



