Retornava eu de uma viagem às Filipinas e à Malásia, durante a qual tive a oportunidade de conhecer antigos costumes filipinos e canacas, como a antropofagia e a mumificação de cabeças por antigas tribos rivais, mal aportando em minha terra, às vésperas do Natal, deparo-me com nova aventura. Na Malásia, tive de enfrentar o assédio de escorpiões negros e o grito histérico de pavões machos.
No Rio, a violência humana e urbana. Dois homens esbarram-se na hora do “rush”, em rua movimentada no centro da cidade. Esbarram-se e se desentendem. Insultam-se. O mais jovem transporta pequeno embrulho. O mais velho carrega uma criança ao colo, de aparentes cinco anos de idade. Na outra mão, uma maleta 007. Em dado momento, abre a maleta e dela retira uma pistola. Havia deixado a criança sentada no capot de um carro estacionado na calçada. O homem mais novo, porém, é mais rápido. Saca de um revólver e dispara, à queima-roupa, vários tiros contra o oponente, que cai, deixando a criança desamparada.
Com toda confusão e correria dos transeuntes, esqueceram-se da pequena, que corre em minha direção, assustada. Escondo=me com ela, até que chegue a polícia, e cesse a correria e o tumulto. Policiais embarcam agressor e vítima fatal em carros diferentes. Demonstro a intenção de levar a menina até aos policiais, mas ela me abraça, ainda assustada. Escondemo-nos então em um bar, saindo apressados pelos fundos, até dar em uma viela suja, e dali tomar o destino de casa. Pergunto-lhe por seus parentes, Diz-me que não os têm. Assim mesmo, passo semanas procurando por familiares dela. Não os encontrando, adoto a menina legalmente.
Yasmin revela-se, desde o primeiro momento, uma criança sensível, meiga e inteligente. Pescamos embarcados, ocasião em ensinou-me a ouvir estrelas. Aprendi o nome e o brilho das mais bonitas. Sírius, Aldebaran, e a nebulosa XPT-52, eram as minhas favoritas. Quando fez 12 anos, presenteei-lhe com um telescópio eletrônico, com o qual montou seu primeiro observatório astronômico, perto de Morro Azul. De lá comunicava-se com os observatórios de Tucson, no Arizona, e Atacama, no Chile, e muitos outros, no rastreamento celeste. Por ser tão aplicada, ganhou uma bolsa de estudos para estudar astrofísica e hoje, já doutora em Física Quântica, é consultora especial da Nasa, enquanto eu continuo minhas pesquisas sobre tribos aborígenes e migração de cangurus no Grande Deserto australiano, bolsa de estudos obtida como prêmio por elucidar o caso do Grande Dragão Dourado de Chinatow, medalha de ouro da Interrpol, no ano de 1964.
Fernando Uchôa é jornalista e escritor, membro da ACLM, AGLAC e IHGSG.



