A investigação sobre o assassinato do mestre de capoeira Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Mestre Paulinho Sabiá, ganhou novos desdobramentos e teve uma reviravolta após o cruzamento de dados das inteligências do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) da Prefeitura de Niterói e da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. O sistema ShotSpotter, que detecta disparos em tempo real, registrou a sequência de tiros no momento do crime e, aliado às imagens do Cercamento Eletrônico, ajudou a reconstruir a dinâmica da execução.
O avanço das investigações permitiu a identificação dos envolvidos e levou à prisão de Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda, irmã do mestre de capoeira Paulo Cesar da Silva Souza. Ela foi presa nesta quarta-feira (8) em Niterói, suspeita de ser a mandante do assassinato do próprio irmão, ocorrido em fevereiro. Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por interesses financeiros.
O capoeirista, referência internacional e um dos fundadores do grupo Capoeira Brasil, foi morto a tiros na noite de 18 de fevereiro de 2026, no bairro de Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Ele estava no banco do carona de um carro conduzido pela esposa quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram disparos à queima-roupa. A vítima foi atingida por três tiros e morreu no local.
Dados do sistema ShotSpotter registraram a sequência de disparos em poucos segundos. Às 21h34m12s, o sistema detectou o primeiro tiro. Em seguida, novos disparos foram identificados às 21h34m14s e 21h34m17s, todos na mesma área de Icaraí. O alerta automático foi enviado imediatamente ao CISP, permitindo que operadores cruzassem as informações acústicas com imagens do sistema de videomonitoramento e do cercamento eletrônico da cidade.
A partir desse primeiro alerta tecnológico, equipes passaram a analisar as câmeras da região. As imagens ajudaram a identificar a motocicleta utilizada pelos criminosos e a mapear o trajeto percorrido antes e depois da execução por meio do sistema de cercamento eletrônico instalado em diferentes acessos da cidade.
Durante a análise do material, investigadores encontraram um detalhe importante. Em registros captados dois dias antes do crime, câmeras da cidade mostram o mestre de capoeira sendo seguido por uma motocicleta com características semelhantes à utilizada na execução. A descoberta reforçou a hipótese de que a vítima vinha sendo monitorada previamente pelos criminosos.
Essas imagens também ajudaram a contextualizar um episódio ocorrido dias antes da morte, já que o capoeirista havia registrado uma ocorrência em delegacia relatando ter sido vítima de uma tentativa de assalto. Com o avanço das investigações e o cruzamento das informações obtidas pelo Cisp com os dados da Polícia Civil, os investigadores passaram a considerar que o episódio poderia estar relacionado à preparação do crime.
Com base nesses elementos, equipes da Delegacia de Homicídios iniciaram um trabalho detalhado de inteligência, analisando imagens de câmeras de videomonitoramento espalhadas pela cidade. O material permitiu reconstruir o trajeto da motocicleta tanto no dia da suposta tentativa de abordagem quanto no dia da execução, revelando deslocamentos, horários e possíveis pontos de apoio utilizados pelos criminosos.
Segundo o secretário municipal de Ordem Pública de Niterói, Gilson Chagas, o caso demonstra a importância da integração entre tecnologia e investigação policial.
“Hoje Niterói conta com um sistema de videomonitoramento, cercamento eletrônico e ferramentas tecnológicas que permitem gerar informações importantes para as investigações. A integração entre o CISP e a Delegacia de Homicídios transforma dados em inteligência e contribui diretamente para o esclarecimento de crimes”, afirmou o secretário.
O Centro Integrado de Segurança Pública já realizou mais de 5 mil exportações em seu sistema, com imagens que foram colocadas à disposição da Justiça ou das polícias para elucidação de crimes ou investigações.
O cruzamento das informações do sistema ShotSpotter e das mais de 800 câmeras de monitoramento do Centro Integrado de Segurança Pública de Niterói — entre elas 120 câmeras inteligentes do sistema de cercamento eletrônico, além de portais instalados nas entradas e saídas da cidade — tem sido fundamental para subsidiar inquéritos policiais, permitindo reconstituir a sequência dos crimes e fortalecer a linha investigativa que leva à identificação dos envolvidos ou à realização de abordagens e ações em tempo real.



