A demora no restabelecimento do fornecimento de energia elétrica após o forte vendaval que atingiu Maricá na última quarta-feira (29) desencadeou uma onda de protestos em diferentes regiões do município. Em menos de 24 horas, cinco manifestações foram registradas contra a concessionária Enel, com moradores cobrando uma solução para o problema que, em alguns bairros, já ultrapassa 42 horas sem energia.
Desde a passagem do temporal, milhares de moradores enfrentam transtornos. Além da falta de iluminação, famílias relatam prejuízos com alimentos estragados, interrupção de serviços essenciais e danos em eletrodomésticos. A insatisfação crescente levou comunidades a ocuparem ruas e rodovias em uma série de manifestações realizadas entre a noite de quinta-feira (30) e a manhã desta sexta-feira (31).
A primeira manifestação aconteceu na noite de quinta-feira, na Estrada de Itaipuaçu, na Avenida Carlos Marighella, em frente à quadra poliesportiva de Inoã, nas proximidades da comunidade do Risca Faca. Revoltados após mais de 24 horas sem energia, moradores interditaram completamente a via utilizando lixeiras, madeiras, ferros e outros materiais, que foram incendiados para dificultar a retirada da barricada.
Durante o protesto, um ônibus gratuito da Empresa Pública de Transportes (EPT), conhecido popularmente como “Vermelhinho”, tentou atravessar o bloqueio e acabou sendo apedrejado. As pedras atingiram o coletivo e estilhaçaram algumas janelas. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.
A Polícia Militar foi acionada e equipes do DPO de Inoã acompanharam a manifestação. Após negociações, os manifestantes encerraram o protesto e a via foi liberada ainda durante a noite.
Pouco depois, um novo protesto foi registrado em frente à subestação da Enel, na altura da comunidade do Bananal, também em Inoã. Assim como na manifestação anterior, moradores incendiaram pneus, madeiras e lixo, além de espalharem lixeiras e ferros pela pista, bloqueando o trânsito.
Os manifestantes afirmaram que o fornecimento de energia foi interrompido por volta das 17h de quarta-feira, quando o vendaval atingiu a cidade, e que até aquele momento o serviço ainda não havia sido restabelecido. Muitos relataram prejuízos com alimentos perdidos e eletrodomésticos danificados pela interrupção prolongada.
O terceiro protesto aconteceu por volta das 20h, na RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto), na altura do quilômetro 15, em Inoã, nas proximidades do condomínio Minha Casa Minha Vida. A manifestação interditou duas faixas no sentido Maricá, provocando retenções e congestionamentos em um dos principais corredores viários da região.
Os moradores também queimaram pneus, galhos e outros materiais para chamar a atenção da concessionária e exigir o retorno da energia elétrica. Embora a rodovia não tenha sido totalmente bloqueada, o protesto gerou grandes impactos no trânsito devido ao intenso fluxo de veículos no local.
Ainda na noite de quinta-feira, um quarto protesto foi realizado na Estrada da Gamboa, na região central de Maricá. Diferentemente das manifestações anteriores, o ato ocorreu de forma mais pacífica. Os moradores atearam fogo em alguns galhos de árvores, mas não chegaram a interditar completamente a pista.
Assim como nos demais bairros, os manifestantes cobravam uma resposta da Enel diante da demora para normalizar o fornecimento de energia. A chegada das equipes policiais fez com que o grupo encerrasse rapidamente o protesto.
Além da Gamboa, moradores de bairros como São José do Imbassaí, Parque Nanci, Itaipuaçu e diversas localidades de Inoã continuam relatando falta de energia desde a passagem do temporal.
A quinta manifestação foi registrada na manhã desta sexta-feira (31), no bairro do Caxito. Após cerca de 42 horas sem energia elétrica, moradores interditaram a Estrada do Caxito, na altura da Rua Raul Alfredo de Andrade.
Os manifestantes atearam fogo em objetos para bloquear a passagem de veículos e cobrar uma resposta da concessionária. Até o fechamento desta matéria, a via permanece interditada e equipes da Guarda Municipal de Maricá acompanham a ocorrência.
A sequência de cinco protestos em menos de um dia evidencia o nível de insatisfação da população diante da demora no restabelecimento do serviço. Enquanto milhares de moradores seguem sem energia elétrica, cresce a pressão para que a Enel apresente uma solução rápida para normalizar o fornecimento e reduzir os impactos causados pelo apagão que atingiu diversos bairros de Maricá após o vendaval.




