O Irã enfrenta uma de suas crises mais sombrias, com um número alarmante de mortos em meio a protestos que varrem o país. As informações, embora conflitantes, pintam um quadro devastador da repressão estatal e da violência que se instaurou nas ruas. Enquanto o governo iraniano reconhece um número elevado de vítimas, atribuindo a responsabilidade a “terroristas”, organizações de direitos humanos apresentam dados ainda mais chocantes, revelando uma crise humanitária de proporções catastróficas.
A Divergência dos Dados e a Realidade Sombria
As cifras oficiais divulgadas pelas autoridades iranianas apontam para cerca de 2.000 mortos, um número que, por si só, já é assustador. No entanto, a organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos Estados Unidos, estima que o número de vítimas fatais chegue a 1.850, com mais de 16.000 pessoas presas. A Iran Human Rights (IHR), por sua vez, fala em mais de 600 manifestantes mortos. Essa discrepância nos números é um reflexo direto do bloqueio de informações imposto pelo governo, que inclui o corte de internet e linhas telefônicas, tornando a verificação independente dos fatos uma tarefa quase impossível.
Necrotérios Improvisados e o Desespero das Famílias
A tragédia se torna ainda mais palpável com os relatos e vídeos que conseguem furar o bloqueio digital. Imagens de necrotérios improvisados, com corpos empilhados em sacos pretos, revelam a magnitude da violência. No Centro Médico Forense de Kahrizak, ao sul de Teerã, e em seus arredores, famílias desesperadas buscam por seus entes queridos em meio a um cenário de horror e desolação.
Vídeos que circularam durante o fim de semana, burlando o bloqueio da internet no Irã, revelaram cenas terríveis. Pessoas tentavam identificar entes queridos entre dezenas de corpos em salas e no chão do lado de fora do centro forense — vítimas da mais recente onda de repressão violenta contra os protestos no Irã.

A Narrativa Oficial e a Repressão Violenta
O governo iraniano tenta controlar a narrativa, culpando “manifestantes violentos” e “mercenários” apoiados por estrangeiros pela violência. A mídia estatal insiste que muitos dos mortos são “pessoas comuns”, vítimas dos próprios manifestantes. No entanto, relatos de testemunhas e a análise de grupos de direitos humanos contradizem essa versão, apontando para uma repressão brutal por parte das forças de segurança, que utilizam força letal para conter os protestos.
Os números, embora divergentes, contam uma história de dor e sofrimento. A crise no Irã é um lembrete sombrio da fragilidade dos direitos humanos e da urgência de uma resposta internacional. Enquanto o governo iraniano se esforça para silenciar as vozes da oposição, a comunidade global tem a responsabilidade de exigir transparência, justiça para as vítimas e o fim da violência. O silêncio dos números não pode abafar o grito por liberdade e dignidade do povo iraniano.



