O Oceano Índico tornou-se palco de um dos mais dramáticos capítulos da escalada no Oriente Médio, com um submarino dos Estados Unidos afundando uma fragata de guerra iraniana. O ataque, que ocorreu na costa do Sri Lanka, resultou na morte de pelo menos 87 marinheiros iranianos, com dezenas de desaparecidos, e marca a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que uma embarcação inimiga é afundada por um torpedo americano.
A fragata em questão, identificada como Iris Dena – e referida pelo Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, como “Soleimani” –, estava retornando de um exercício militar na Índia quando foi surpreendida. A embarcação já havia gerado controvérsia em fevereiro de 2023, ao atracar no Porto do Rio de Janeiro, um movimento que foi visto como uma provocação pelos Estados Unidos.
O incidente, que deixou 32 marinheiros resgatados e gravemente feridos, e cerca de 60 tripulantes ainda desaparecidos de um total estimado de 180 a bordo, foi confirmado por Hegseth. Ele enfatizou a determinação americana em “acabar com os navios do Irã”, uma declaração que reflete a postura agressiva da administração.
Analistas geopolíticos classificam o ataque como um “ato pirata” e um sinal do colapso do direito internacional, com as regras de navegação e o respeito às águas territoriais sendo ignorados. A ação intensifica drasticamente a tensão na região, especialmente no estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita mais de 25% do petróleo mundial, gerando instabilidade nos mercados e elevando os preços do barril.
A repercussão internacional não tardou. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou duramente a postura dos EUA, acusando o presidente Donald Trump de “brincar de roleta russa com o destino de milhões de pessoas”. Sánchez recusou o uso de bases militares espanholas para os ataques e condenou as ameaças de retaliação comercial americanas, em uma das mais fortes críticas de um líder europeu até o momento.
Enquanto isso, o Sri Lanka, que se mantém neutro no conflito e depende economicamente de seus cidadãos que trabalham no Oriente Médio, mobilizou esforços de busca e resgate, apesar da sensibilidade de envolver forças armadas estrangeiras em suas operações. A fragata emitiu um pedido de socorro antes de afundar completamente, deixando para trás apenas uma mancha de óleo e um rastro de incertezas sobre o futuro da região.



