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    sábado, novembro 29, 2025

    A importância do rádio como mídia social

    Data:

    Ao comemorar mais um Dia do Radialista (7 de novembro), resolvi escrever algumas poucas linhas em homenagem a esses bravos comunicadores e relembrar sua importância para a sociedade.

    Mesmo em tempos digitais, com imposição de aplicativos em forma de nuvem, das I.As, e outras trapizongas e salamaleques, o rádio de Marconi se supera em seus propósitos, mostrando-se, mais que nunca, resiliente e adaptado à toda prova. Se não mais como veículo hegemônico de comunicação, mas, ainda assim, como suserano das preferências interioranas, e, até, mesmo, metropolitanas.

    Senão, vejamos: o rádio atinge os cantões mais longínquos de um país continental como o nosso, levando informação e entretenimento à quase totalidade dos 5.549 municípios brasileiros. Foi nas eleições do ano passado, que me dei conta deste importante meio de comunicação. Fiquei sem TV por dois ou três meses. Decidido a não capitular diante de uma cultura de massas cada dia mais solúvel (imposta subliminarmente pelo Grande Irmão a uma população cada vez mais alienada através de uma escala asséptica de valores), apelei para o rádio.

    Esse, demonstrou ser o companheiro de todas as horas, além de oferecer melhores opções de programação. Por interesse particular e social na politica, acompanhei a apuração do pleito, pelas rádios Band News e CBN. Mesmo durante o período eleitoral, sintonizava na Rádio MEC, Nacional, ou Melodia, para ouvir música. Aí é que entra a importância dessa maquininha sonora. Além de não ocupar (e limitar), a nossa atenção pelos olhos, exercita nossa imaginação pela audição, sentido físico menos utilizado pela maioria, mas de extrema relevância para os deficientes visuais, por exemplo.

    Primeira radiodifusão

    A radiodifusão, processo desenvolvido pelo físico italiano Guglielmo Marconi e apresentado com êxito em 1899 (Prêmio Nobel de 1899), teve como base o conceito das ondas hertzianas (Heinrich Hetz (1857-1894), dos receptores de Lucien Levy (1892-1965), de amplificação direta (abandonada em 1935), pela transmissão a bordo de um navio para o continente, nas costas italianas e inglesas, e se destacou, vinte três anos depois de sua descoberta, como a frande vedete da Belle Époque europeia.

    No Brasil, tomou o lugar de honra do piano, tanto no cotidiano de uma classe média que surgia, quanto nos saraus da burguesia entediada. A transmissão da voz por rádio foi o expoente da entrada no século XX, sete anos antes do voo inaugural do mais pesado que o ar, o 14-Bis, do nosso querido Santos Dumont, em 1906, em torno da Torre Eiffel, Paris, O Brasil, com sua Capital Federal no Rio de Janeiro, elegeu, de forma carinhosa e universal, o rádio, que passou a ocupar lugar central nos lares, tornando-se objeto de destaque na sociedade, e companheiro de cabeceira, e de todos os momentos e lugares, à medida em que se tornou portátil. Assim como no resto do mundo civilizado, o rádio passou a ser a cereja do bolo, a menina dos olhos da comunicação, especialmente na capital brasileira, fomentadora e difusora da cultura nacional, e na economia de uma sociedade que começava a crescer e que resultaria em uma industrialização que brotaria com vigor um quartel de século mais tarde.

    Apesar da invasão cultural sofrida em sequência pelo neocolonialismo dos países – Inglaterra, França e EUA – nos séculos e XX, o rádio permaneceu fiel aos seus comunicadores e a seu público. Foi aliado dos soldados na I e II Guerra Mundiais (nos raros momentos de folga), e nos campos de batalha (rádio comunicador). Posteriormente, em campanhas civis (rádio amador e comercial0, além da programação cotidiana em tempos de paz.

    Divulgou modas e modinhas, chorinhos e chorões, marchinhas de carnaval, cantores e cantores de samba-canção e bossa-nova, através das ondas de emissoras como a Rádio MEC (a mais antiga do Brasil, com 122 anos), Rádio Roquete Pinto (91 anos), Rádio Nacional e outras estatais, além das rádios comerciais, como a Rádio Globo e Rádio Tupi, entre muitas outras mais recentes. Durante décadas, marcaram época os programas ao vivo de Renato Murce, Mario Lago, César Ladeira, Ary Barroso, Fernando Castelão (Radio Jornal de Recife), Chico Anísio, e tantos outros apresentadores,, locutores e narradores esportivos, em ondas curtas e longas, de amplitude modulada (AM).

    A frequência modulada (FM), que atua entre as faixas de 78,5 a 100 MHz, entrou em operação nos anos 1980, tornando-se preferida dos ouvintes e das emissoras, por emitir ondas mais constantes e de qualidade, de melhor manejo, embora o nível de programação varie substancialmente. Enquanto isso, a rádio AM ainda sobrevive, mas está sendo sistematicamente relegada ao ostracismo.

    Hoje, em pleno século XXI, o rádio volta a tomar destaque na mídia, ao vivo e na internet (rádio web), ao lado das redes sociais, e dos podcasts (programas de entrevistas filmados e transmitidos em TV), que, esperamos, não se limitem a mais um modismo passageiro. Por outro lado, formatos clássicos como o das rádios educativas, permanecem há décadas resistindo e atuando na verdadeira educação do povo.

    De forma efetiva e duradoura, figuram como avatares culturais da reconstrução, demiurgos dos novos tempos, utilizando, como sempre, com sensatez e propriedade, os recursos tecnológicos adequados. Compõem esse ranking, nomes como Rachel Ricardo (áurea Música, Clube do Choro), Sidney Ferreira (Jazz Livre, Noturno), demais apresentadores da Rádio Mec e Rádio Nacional, principalmente.

    Mais que a globalização instantânea da imagem na TV, o rádio ainda é o grande mobilizador social das comunidades, tanto mais importante, quanto menores e mais longínquas elas forem. Existem povoados e aldeias no Brasil e no mundo, que recém ondas hertzianas diariamente, poré a sua localização geográfica e falta de estrutura física, impedem uma boa recepção e resolução da imagem à distância.

    Fernando Uchôa – Jornalista e escritor, membro da AGLAC, IHGSG e ACLM.

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    Alexandre R. Ducoff
    Alexandre R. Ducoffhttps://conexaodopovo.com/
    Jornalista, Fotógrafo, Cinegrafista, Editor, Ativista e Fundador do Conexão do Povo! Eu, Alexandre R. Ducoff, tenho como base a defesa do interesse da população, facilitando os seus pedidos ao poder executivo e legislativo. O diálogo é tudo!

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